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CINEMA NOVO



"Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça’, frase marcante do Cinema Novo Brasileiro."


Por Osmilde Bispo (@osmildebispo)


Influenciado pelo Neorrealismo italiano e pela Nouvelle Vague francesa o Cinema Novo tem seu início no período em que alguns cineastas não estavam satisfeitos com as produções cinematográficas, muitos filmes carregavam em sua estética o cinema Hollywoodiano.

Dessa forma, alguns cineastas criam o movimento, e o de maior destaque é Glauber Rocha. A ideia era realizar filmes que mostrassem a realidade em que se encontrava o Brasil, pessoas passando fome, desigualdades sociais e política, uma reflexão real em que se encontravam populações mais carentes.

O que eles queriam era surpreender o público, mostrando a realidade mais próxima possível. Por isso usava as ruas como cenário, não atores, não se preocupava com a técnicas e isso, era uma maneira de dizer que não estavam satisfeitos com a situação do país.

É no Cinema Novo que surge “estética da fome", que são filmes feios, tristes, que lutam contra a violência, a fome.” Nossa maior miséria é que esta fome, sendo sentida, não é compreendida”. (Glauber Rocha).

O movimento está dividido em três fases, a primeira de 1960 a 1964 e tem como marco o filme Cinco Vezes Favela de 1961, dirigido por Cacá Diegues, Joaquim Pedro de Andrade, Leon Hirszman, Miguel Borges e Marcos Farias. O filme está dividido em cinco episódios com personagens e histórias diferentes, mas todos relacionados à favela.

O filme Deus e o Diabo na Terra do Sol de 1964, Glauber Rocha participou do Festival Cannes na França o qual foi indicado à Palma de Ouro, principal prêmio.

Deus e o Diabo na terra do Sol narra a perseguição que um vaqueiro sofre, depois de matar um coronel que o explorava. Ele e a esposa se envolvem com um beato, que promete acabar com sofrimento através do catolicismo, mas, o que eles veem é sempre o mesmo, exploração e desigualdades.

Os objetivos foram alcançados na primeira fase do Cinema Novo, os cineastas puderam mostrar através dos seus filmes a violência, a fome, a alienação religiosa que o povo passava.

Já a segunda fase vai de 1964 a 1968, aqueles que acreditaram que o cinema poderia ser uma arma na luta contra a opressão, liberdade, de lutar por seus ideais e justamente no período que se inicia o regime militar no país. Alguns cineastas se afastaram da estética da fome e realizaram filmes preocupados com técnicas e com temáticas que atraíssem o público. Em 1968 foi lançado Garota de Ipanema, de Leon Hirszman, baseado na música de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, que conta a história de uma garota que finge ser feliz.

Porém Glauber Rocha permaneceu fazendo filmes que fizessem as pessoas refletirem, irem em busca de melhorias. Em 1967 lança o filme Terra em Transe, um Senador que não gosta do povo e que se torna imperador assim, como outros deseja o mesmo. A história se passa em um país fictício. O filme foi censurado por ser considerado subversivo.

Já de 1968 a 1972 tem-se a terceira fase do Cinema Novo. Os filmes produzidos nessa fase eram totalmente diferentes aos da primeira fase, eram filmes que se preocupavam com as técnicas cinematográficas e isso se deu também, em razão da globalização.

Essa fase foi inspirada no Tropicalismo- movimento cultural brasileiro, com influência na vanguarda e cultura pop, entre 1968 e 1969. Eram filmes que usavam as cores da flora brasileira, ruptura do tradicionalismo, a arte “bem comportada”. Em destaque temos os filmes Como Era Gostoso o Meu Francês, 1971, de Nelson Pereira dos Santos, franceses que tem a missão de chegar na França Antártica, acaba se rebelando e são condenados à morte, porém escapam e vão parar em uma tribo de índios que o prendem para realizar um ritual antropofágico. Já Macunaíma, 1969 de Joaquim Pedro de Andrade, um herói, preguiçoso, safado que é “devorado” pelo sistema do regime militar.

A luta para mostrar a realidade de um país desigual através da sétima arte, foi algo marcante e desafiador para os cineastas do Cinema Novo. Foi nos filmes que se pode mostrar o sofrimento da maioria da população e com isso acender um alerta para lutar e mudar a situação. Os filmes do movimento, principalmente os de Glauber Rocha, sem dúvida nos faz refletir de que podemos enfrentar aqueles que nos oprimem, que tira a liberdade, seja ela qual for e assim termos um país justo.


Referência:

www.aicinema.com.br

Revisado por:

Renata Meneses (@renatamenesess)

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