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NEORREALISMO ITALIANO ‘A busca por um cinema de realidade’


Visando uma representação social, política de um país que enfrentou uma guerra e o regime de um ditador, foi que nasceu o Neorrealismo Italiano. Os problemas pós Segunda Guerra Mundial (1939-1945) eram visíveis, pessoas sem emprego, cidades destruídas, isso fez com que cineastas produzissem filmes que mostrassem a realidade da população italiana.

Por Osmilde Bispo (@osmildebispo)


Um grupo de críticos da revista Cinema foram impedidos de escrever sobre política, pois o editor da revista era filho de Benito Mussolini, eles teciam críticas aos filmes que dominavam a indústria cinematográfica italiana. Chamavam de “telefone branco” as produções que imitavam as comédias norte-americanas, tinham cenários luxuosos e muitas vezes um telefone branco, artigo caro na época e que poucos possuíam. Esses filmes também tinham como características os valores da família, o respeito às autoridades e uma hierarquia de classe. Mussolini era um grande apoiador do cinema, tanto que em 1937 inaugurou o estúdio Cinecittà, o qual foi bombardeado durante a guerra.

O fato é que os cineastas estavam cansados desse tipo de produção e queriam produzir filmes em que as pessoas pudessem reagir, se envolver com os problemas em que passava o país. Era uma fuga da ilusão para a realidade.

O movimento foi liderado pelos diretores Roberto Rossellini, Vittorio de Sica e Luchino Visconti.

O filme que marca o início do Neorrealismo é Roma Cidade Aberta, 1945, de Roberto Rossellini, boa parte do cenário são as ruas destruídas de Roma. Um dos líderes da Resistência tenta escapar dos naszistas, amigos, entre eles um padre tenta ajudá-lo. Há cena de execução no meio da rua. Rossellini ganhou o Grande Prêmio no Festival de Cannes.

Em Ladrões de Bicicleta, 1948, de Vittorio de Sica, temos a busca por trabalho do personagem Antônio, quando finalmente consegue tem sua bicicleta roubada a qual usava para rodar pela cidade colando cartazes. São histórias que retratam a devastação de um país, onde antes se via lindos lugares em Roma, agora esses mesmos locais estavam destruídos.

Roberto Rossellini não pensou em criar um novo estilo de cinema, o que pretendia era um engajamento social, um cinema útil, denunciando as consequências da guerra e do fascismo.

Só que os demais realizadores viram o Neorrealismo como um novo movimento, com características próprias.

E essas características eram marcantes, cenários reais. Boa parte das gravações aconteciam em meio aos destroços deixados pela guerra, algo para trazer maior realismo. A utilização de não atores, valorizando os dialetos, as falas eram muitas vezes improvisadas, dando mais realidade para a cena. Esses filmes contavam com baixo orçamento. Não usava efeitos visuais, a câmera capturava aquele momento. Uso de profundidade de campo, planos conjunto e médios, iluminação natural, os diálogos eram gravados separados e depois sincronizados. Essas são algumas características que fizeram do Neorrealismo um movimento que buscava o social, um grito de liberdade.

Outros filmes se destacam, Alemanha Ano Zero, 1948, de Roberto Rossellini; A Terra Treme, 1948, de Luchino Visconti.

O Neorrealismo Italiano teve seu auge entre as décadas de 40 e 50, foi suficiente para influenciar outros movimentos cinematográficos, bem como, cineastas a exemplo de Martin Scorsese. Filmes que fizeram uma reflexão da realidade de um povo oprimido, sem seus direitos básicos, pensarem e buscarem uma transformação.



Referência:

www.aicinema.com.br

História do cinema mundial/Papirus Editora

Revisado por:

Renata Meneses (@renatamenesess)



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